Seguir Teresa de Ávila pelo caminho da alegria da oração, da fraternidade e do próprio tempo – Mensagem do Papa

Neste dia 15 de outubro, em que a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Teresa de Ávila, tem início um Ano Jubilar comemorativo do quinto centenário da Santa (que nasceu a 28 de março de 1515). Hoje mesmo o Papa Francisco enviou ao bispo de Ávila, D. Jesús García Burillo, uma mensagem em que encoraja os fiéis, nomeadamente espanhóis, a aplicarem-se em conhecer a vida e os escritos de Santa Teresa, que tanto podem ensinar aos homens e mulheres de hoje.

“Na escola da santa andarilha aprendemos a ser peregrinos” – escreve o Papa, que observa que “a imagem do caminho pode sintetizar muito bem a lição da sua vida e obra”, pois “ela entendeu a sua vida como caminho de perfeição através do qual Deus conduz o homem, de morada em morada, até Ele, e ao mesmo tempo, o põe em marcha em direcção aos homens”. Neste contexto, o Santa Padre aponta quatro caminhos nesta marcha teresiana, que todos poderemos imitar com proveito: o caminho da alegria, da oração, da fraternidade e do próprio tempo.

Antes de mais a alegria: “Teresa de Jesus convida as suas monjas a ‘viverem alegres servindo’. A verdadeira santidade é alegria porque – como ela dizia – ‘um santo triste é um triste santo’. Antes de serem valentes heróis, os santos são fruto da graça de Deus aos homens”.

Em segundo lugar, caminho de oração. “A Santa transitou também pelo caminho da oração, que definiu de um modo belíssimo como ‘tratar de amizade estando muitas vezes sozinhos com quem sabemos que nos ama’.” Rezar não é uma forma de fugir, nem de isolar, mas de avançar numa amizade que tanto mais cresce quanto mais se trata ao Senhor como “amigo verdadeiro” e fiel “companheiros” de viagem. Por muitos caminhos pode deus conduzir as alamas até si, mas é a oração “o caminho seguro”. Estes conselhos – observa o Papa na sua mensagem – são de perene atualidade e valem especialmente para todos os membros da vida consagrada, aos quais dirige uma exortação: “Numa cultura do provisório, vivam a fidelidade – como dizia Teresa – ‘para sempre, sempre, sempre’. Num mundo sem esperança, mostrem a fecundidade de um ‘coração enamorado’. Numa sociedade com tantos ídolos, sejam testemunhos de que ‘só Deus basta’.”

Depois, fraternidade. “Este caminho, não o podemos fazer sozinhos, mas uns com os outros. Para a santa reformadora, o caminho da oração segue pela via da fraternidade no seio da Igreja Mãe. A sua providencial resposta… aos problemas da Igreja e da sociedade do seu tempo… foi fundar pequenas comunidades de mulheres que… vivessem com simplicidade o Evangelho apoiando a Igreja com uma vida feita oração”.

Finalmente, o caminho do próprio tempo: “Precisamente porque é mãe de portas abertas, a Igreja está sempre em caminho para levar aos homens a ‘água viva’ de que têm sede. A santa escritora e mestra de oração foi ao mesmo tempo fundadora e missionária pelos caminhos da Espanha. A sua experiência mística não a separou do mundo nem das preocupações das pessoas. Pelo contrário, deu-lhe novo impulso e coragem para a ação e para os deveres de cada dia”. (PG)

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