PALAVRA DO REITOR – III DOMINGO DE QUARESMA – MATEUS 17,1-9

III DOMINGO DE QUARESMA – JOÃO 5,5-42

 

O Evangelho de hoje parte de uma realidade muito humana: “a sede”; consequência do cansaço (v.6), para nos levar a uma realidade mais profunda: a sede do coração humano que só pode ser saciada por Jesus Cristo.

  1. Um coração que tem sede: Diz o Salmo 63 “Minha alma está sedenta de vós, e minha carne por vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água” (v.2). O coração humano procura sempre o sentido além de si mesmo: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti” (S. Agustinho, Conf. I,1). Fazemo-nos perguntas, temos inquietudes, procuramos sentido e, mesmo tendo “tudo”, somos insaciáveis. Somos seres com um anseio profundo de “eternidade”: “Há um vazio no formato de Deus no coração de todo homem” (Blaise Pascal). O ser do homem é um “poço infinito que só um infinito pode preencher” (Ignacio Larrañaga).
  2. Beber em poços errados: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo” (v.13). Um poço finito (nós) com sede de infinito que se preenche em realidades finitas jamais será saciado. Os nossos anseios mais profundos e a procura do sentido não podem aceitar respostas fúteis, vazias e inconsistentes. Não são as coisas que podem responder às nossas perguntas fundamentais. Assim, quando fazemos absolutas certas realidades, com o pretexto de “saciar o coração”, terminamos sendo escravos, por mais que “bebamos”, mais vazios nos tornamos.
  3. Uma fonte de água que jorra para a vida eterna: “Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede” (v.14). Só uma realidade infinita pode saciar o nosso coração finito com sede de infinito. Portanto, Jesus nos revela que somos filhos e filhas amados por Deus (amados pelo Amor). E é justamente esta realidade a que sacia o coração do homem. Por fim, só o Amor sacia. Como diz São Paulo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5,5). Fomos criados por amor, e o nosso coração está voltado para este mesmo Amor. Somos seres com anseio de eternidade, ou seja, sede do Amor, e quando integramos isso na nossa vida, então não aceitamos qualquer resposta a uma “pergunta tão fundamental”.

Nesta Quaresma digamos como a Samaritana “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui (poços finitos) para tirá-la”. A fim de que sejamos adoradores em “espírito e verdade” (v.24), ou seja, adorar como filhos (e não como estrangeiros) movidos pelo amor que temos recebido em Jesus Cristo.

Juan Diego Giraldo Aristizábal, PSS

 

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