Carta ao Secretário Geral da ONU sobre a situação do Norte do Iraque

A Sua Excelência o Senhor Ban Ki-moon
Secretário-Geral da ONU
Com o coração aflito e angustiado segui os eventos dramáticos destes últimos dias no norte do Iraque, onde os cristãos e as minorias religiosas foram obrigados a fugir das suas casas e a assistir à destruição dos seus lugares de culto e do património religioso. Comovido com a sua situação, pedi a Sua Eminência o Cardeal Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que serviu como Representante dos meus predecessores, o Papa João Paulo II e o Papa Bento XVI, junto do povo no Iraque, para manifestar a minha proximidade espiritual e exprimir a minha preocupação, e a de toda a Igreja católica, pelo sofrimento intolerável de quantos desejam unicamente viver em paz, harmonia e liberdade na terra dos seus antepassados.
Com o mesmo espírito, escrevo a Vossa Excelência, Senhor Secretário-Geral, e apresento perante si as lágrimas, os sofrimentos e os brados de desespero dos Cristãos e de outras minorias religiosas da amada terra do Iraque. Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional a fim de que intervenha para pôr fim à tragédia humanitária em curso, encorajo todos os organismos competentes das Nações Unidas, em particular aqueles responsáveis pela segurança, paz, direito humanitário e assistência aos refugiados, a continuar os seus esforços em conformidade com o Preâmbulo e os Artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas.
Os ataques violentos que estão a propagar-se no norte do Iraque não podem deixar de despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa vontade para acções concretas de solidariedade, a fim de proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e para garantir a assistência necessária e urgente às numerosas pessoas deslocadas, mas também o regresso seguro para as suas cidades e casas. As trágicas experiências do século XX, e a mais elementar compreensão da dignidade humana, obriga a comunidade internacional, em particular através das normas e dos mecanismos do direito internacional, a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para impedir e prevenir ulteriores violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas.
Confiante de que o meu apelo, que uno aos dos Patriarcas Orientais e dos outros líderes religiosos, encontrará uma resposta positiva, aproveito esta ocasião para renovar a Vossa Excelência as expressões da minha mais elevada consideração.

Vaticano, 9 de Agosto de 2014.

Francisco

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