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A escravidão no Brasil e os Quilombolas

A escravidão no Brasil
A escravidão foi uma forma de relação social adotada no Brasil dos tempos de colônia, de 1500 a 1822, até a época do Império, de 1822 a 1888, um ano antes da proclamação da República.

Negros trazidos da África formavam o maior contingente de escravos. Havia também alguns índios, principalmente, na Amazônia. Os escravos trabalhavam forçadamente em atividades ligadas à agricultura, principalmente a cana-de-açúcar e, também, à mineração.
Antes da abolição da escravatura pela então princesa Isabel com a Lei Áurea, foram criadas leis mitigadoras do problema como a Lei do Ventre Livre, que dava liberdade aos filhos de escravos. Na verdade, essas leis pouco ajudavam já que esses libertos não tinham para onde ir.
Com a Lei Áurea, o problema continuou. Muitos tiveram que aceitar as condições sub-humanas dos seus antigos senhores. Outros migraram para cidades e acabavam mendigando e ainda alguns preferiram viver nos quilombos. Essa mão-de-obra escrava foi substituída, aos poucos, por imigrantes europeus e asiáticos.

Palmares - símbolo de luta pela liberdade
Existiram os quilombos que surgiram como centros de resistência negra à escravidão. Dentre eles, o mais famoso foi Palmares, em Alagoas, que entrou para a História como o maior símbolo da luta negra pela liberdade.

Este é o quilombo mais famoso da história brasileira. Em 20 de novembro, comemora-se o dia da Consciência Negra. Esta data é a mesma em que Zumbi foi assassinado, em 1695, em uma emboscada armada por bandeirantes que queriam destruir o Quilombo dos Palmares. Zumbi virou mártir da luta pelo fim da escravidão.

As primeiras referências à Palmares foram registradas em 1580, na região da Serra da Barriga, onde hoje fica a divisa entre os estados de Alagoas e Pernambuco. No final do século 16, este quilombo ocupava uma grande área coberta de palmeiras entre o Cabo de Santo Agostinho e o Rio São Francisco. Escravos que fugiam de Pernambuco e da Bahia se refugiavam lá. Palmares durou mais de um século.

Alguns historiadores arriscam uma estimativa de que, em 1670, o Quilombo dos Palmares contava com uma população de 20 mil habitantes, distribuídos em quatro grandes núcleos ou mocambos chamados: Macaco, Subupira, Zumbi e Tabocas. O quilombo era próspero e representava uma ameaça aos fazendeiros, já que servia de inspiração para que seus escravos fugissem e se refugiassem lá.

O líder do Quilombo dos Palmares naquela época era Ganga Zumba, tio de Zumbi. Em 1678, o governador da Capitania de Pernambuco ofereceu um acordo de paz a Ganga Zumba, que era desfavorável à população dos Palmares. Ele aceitou o acordo e teve início uma rebelião, liderada por Zumbi.

Os quilombolas voltaram a Palmares e se restabeleceram lá, sob a liderança de Zumbi, que o governou por 15 anos. Foram necessárias 18 expedições do governo português para erradicar Palmares. Zumbi adotou uma estratégia de defesa baseada em táticas de guerrilha. Os portugueses contrataram os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo para erradicar de vez a ameaça dos Palmares.

Foi uma guerra onde se usou táticas de inteligência. Os bandeirantes capturaram um quilombola que sabia o esconderijo de Zumbi e acabou delatando-o. Em 20 de novembro de 1695, os bandeirantes mataram Zumbi em uma emboscada. Mesmo sem outra liderança, Palmares sobreviveu até 1710, quando se desfez.


Os Quilombolas
A palavra quilombo vem de "ochilombo", de um dialeto banto, até hoje falado por certos povos em Angola, de onde veio a maioria dos escravos brasileiros. Designava acampamento usado por populações nômades. No Brasil, deu nome aos núcleos de resistência à escravidão.

Os quilombolas, então, são os descendentes dos habitantes dos quilombos. Em sua maioria, formada por escravos negros que fugiram do cativeiro na época da escravidão no Brasil. Eles escapavam dos engenhos de cana-de-açúcar ou fazendas de café e se refugiavam nos quilombos, locais de resistência e proteção. Os antigos escravos formaram comunidades em torno destes núcleos e as comunidades hoje, mais de cem anos depois do fim da escravidão, recebem o nome de quilombolas, áreas de quilombolas ou territórios de quilombolas.

Os quilombolas mantêm tradições seculares como a preparação da farinha de mandioca.

Há áreas de quilombolas espalhadas por todo o país, em 24 dos 27 estados da federação. Somam mais de mil comunidades, segundo a Comissão Pró-Índio. Mas, em algumas regiões, a concentração deles é maior. Na Bahia, os maiores agrupamentos de quilombolas estão concentrados no Recôncavo Baiano, nos municípios de Cachoeira, Maragogipe e Santo Amaro. No Pará, existe o maior número de terras demarcadas e tituladas de quilombolas, 34. O segundo estado com mais terras demarcadas é o Maranhão, com 20.

Muitos quilombolas têm línguas próprias, formadas da fusão entre os dialetos do escravos negros trazidos da África e o português. Como o cupópia, do Quilombo de Cafundó, em Salto de Pirapora, no interior de São Paulo. Este idioma foi registrado cientificamente, pela primeira vez, em 1978, quando contava 40 falantes. Atualmente são 12 falantes de cupópia, dos 80 habitantes de Cafundó.

A Lei Áurea, sancionada pela princesa Isabel a 13 de maio de 1888, foi o resultado de uma batalha legislativa iniciada na década de 1870.
Isabel enfrentou a resistência dos representantes dos proprietários de escravos para levar o projeto de lei à votação.
"Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono"
, disse-lhe um parlamentar, após a aprovação da lei




Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança era o nome completo da princesa Isabel, depois de seu casamento com Gaston d´Orléans, o conde d´Eu.
A foto mostra a princesa no exílio, em 1920, no castelo d´Eu, na região da Alta Normandia, França







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Fonte: uol
Banco de imagens/MDA




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comentários  

 
# bianca cavalcante 25-11-2010 19:18
É bom esse interesse...
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# karol 24-10-2012 09:20
Citando bianca cavalcante:
É bom esse interesse...

concordo com voce
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